
Martinho de Tours
Monge cristão (316-397), aclamado bispo de Tours em 371. São Martinho de Tours era filho de um tribuno e soldado do exército romano. Nasceu e cresceu na cidade de Sabaria, Panónia (actual Hungria), em 316, e pertencia a uma família pagã. No entanto, aos 10 anos de idade entrou para o grupo dos catecúmenos (aqueles que estão a preparar-se para receber o baptismo). Aos 15 anos de idade, e contra a sua vontade, o pai fê-lo ingressar no exército romano; seguiu em serviço para a Gália (na actual França). Aos 18 anos abandonou o exército. Foi baptizado por Hilário, bispo da cidade de Poitiers.
Foi quando prestava serviço militar que ocorreu o famoso episódio do manto. Segundo se conta, um dia um mendigo que tiritava de frio pediu-lhe esmola e, como não a tinha, o cavaleiro cortou o seu próprio manto com a espada, dando metade ao pedinte. Durante a noite, Jesus apareceu-lhe em sonho, usando o pedaço de manto que Martinho dera ao mendigo, e agradeceu-lhe por tê-lo aquecido. Dessa noite em diante, o cavaleiro decidiu que deixaria as fileiras militares para dedicar-se à religião.
Com vinte e dois anos já estava baptizado, provavelmente pelo Bispo de Amiens, afastado da vida da corte e do exército. Tornou-se monge e discípulo do famoso Bispo de Poitiers, Santo Hilário, que o ordenou diácono. Mais tarde, quando este voltou do exílio, em 360, doou a Martinho um terreno em Ligugé, a doze quilômetros de Poitiers. Alí Martinho fundou uma comunidade de monges. Pouco depois, dada a elevada afluência de candidatos, Martinho construiu o primeiro mosteiro da França e da Europa ocidental. No ocidente, ao contrário do oriente, os monges podiam exercer o sacerdócio para que se tornassem apóstolos na evangelização. Martinho liderou então a conversão de muitos habitantes daquela região rural. Com os monges, visitava as aldeias pagãs, pregava o evangelho, derrubava templos e ídolos e construía igrejas. Onde encontrava resistência, fundava um mosteiro com os monges, evangelizando pelo exemplo da caridade cristã, com o intuito de assim converter o povo. Dizem os escritos que, nesta época, tinha recebido dons místicos, operando muitos prodígios em beneficio dos pobres e doentes.
Quando ficou vaga a diocese de Tours, em 371, o povo aclamou-o por unanimidade para ser Bispo. Martinho aceitou, apesar da resistência inicial. Mas não abandonou a peregrinação apostólica. Visitava todas as paróquias, zelava pelo culto e não desistiu de converter pagãos e exercer exemplarmente a caridade. Nas proximidades da cidade fundou outro mosteiro, chamado de Marmoutier. E a sua influência não se limitou a Tours, mas expandiu-se por toda a França, tornando-o querido de todo o povo. Martinho exerceu o bispado por vinte e cinco anos e, aos oitenta e um, estava na cidade de Candes, onde morreu no dia 8 de Novembro de 397. A sua festa é comemorada no dia 11, data em que foi sepultado na cidade de Tours. Venerado como São Martinho de Tours, tornou-se o primeiro santo não mártir a receber culto oficial da Igreja e um dos Santos mais populares da Europa medieval. Há em França quatro mil igrejas que lhe são dedicadas, e o seu nome foi dado a milhares de localidades, povoados e vilas, em todo o mundo. Discorrendo sobre ele, disse o Papa Bento XVI: O gesto caritativo de São Martinho se insere na lógica que levou a Jesus a multiplicar os pães para as multidões famintas, mas sobretudo a dar-se a si mesmo como alimento para a humandade na Eucaristia. (...) Com esta lógica de compartilhar se expressa de modo autêntico o amor ao próximo. (Alocução do Ângelus, de 11 de novembro de 2007).
A parte da vida do santo mais conhecida popularmente é o episódio do manto (ou capa).
Fonte: Sapo




















